Dijon

Por em 12 agosto, 2017

A Bourgogne é região embriagadora, orgulho da aristocracia, fonte de inspiração e poder para duques prestigiados, santos humanistas e artistas talentosos. Sua capital é Dijon, cidade de uma centena de campanários.

A HISTÓRIA

Situada no coração da Bourgogne, é composta por dois rios, o Suzon que corta a cidade de norte à sul e o Ouche, um rio não navegável ao sul. À oeste se estendem os vinhedos que vêm crescendo morro acima desde a era romana. A vila chamada “Divio”, sofreu ameaças de invasões bárbaras quando dominada pelo império romano, o que fez o imperador Aurélien, construir, no século III, uma fortaleza contornando a vila, para protegê-la. Essas muralhas foram mais tarde destruidas para expansão da cidade.

Centro histórico

Nos séculos XIV e XV, os duques da Borgonha eram rivais dos reis da França pelo poder, riqueza e prestígio. Essa rivalidade beneficiou Dijon, que foi construída para ser a capital borgonhesa com o patrocínio dos duques às artes. Em 1477, com a morte de Carlos, o Temerário, Louis XI anexou o ducado de Bourgogne à França.

Hoje, os duques da Bourgogne são só histórias, mas deixaram o legado de vinhos saboreados pelo mundo todo. A capital, criada da vontade desses duques, conta comaproximadamente 154000 habitantes, possui um centro histórico com construções e ruas pitorescas, e tradição intelectual.

O QUE FAZER

O centro de ajuda ao visitante fica no Hôtel Chambellan, 11 rue des Forges, ao lado da estação de trem. A cidade plana pode ser visitada a pé. Adquira o The owl’s trail (a trilha da coruja), um guia sobre atrações turísticas reveladas ao longo de uma rota. Basta seguir as setas em vermelho no chão. A coruja é um símbolo e há algumas delas esculpidas pela cidade. Tocá-las com a mão esquerda, enquanto faz um pedido, pode dar sorte. Economize com o Dijon City Card, um cartão que dá direito à entrada em vários museus, passeio de segway e visitas guiadas, que devem ser agendadas.


Sua chegada pela estação de trem pode ser um pouco decepcionante porque terá a impressão de que a cidade é moderna demais, cansativa demais. Mas ao contrário, Dijon possui um centro medieval rico em patrimônios históricos, muito bem conservados e reconhecidos internacionalmente.
Suas incontáveis construções modestas e burguesas, frutos de sua longa história, dão um charme todo especial às ruelas do centro da vila, da velha Dijon. Além disso, ela continua construindo sua história com edifícios de alta tecnologia, compromisso com o verde e gastronomia compatível com os vinhos finos de infinita harmonia e nobreza, produzido nos arredores.

Telhados multicoloridos de Dijon

Esta cidade merece ser observada do alto. Os interessantes telhados multicoloridos de suas casas são típicos da região da Borgonha e indicavam o quão importante eram seus moradores.

Place de la Libération

Praça principal do centro histórico de Dijon, possui um formato de semi-círculo e se abre para o Palais des Ducs de Bourgogne. Foi pensada para demonstrar o poder do rei Louis XIV, nomeada inicialmente de place Royale. Uma estátua equestre de Louis XIV foi erguida sobre esta praça e derretida durante a Revolução Francesa para a fabricação de um canhão. Nessa época, a praça passou a se chamar place d’Armes. Por fim, a place de la Libération é contornada por arcadas e sob os arcos, passagens subterrâneas levam ao palácio da Justiça e a várias construções antigas.

Palais des ducs de Bourgogne

Palacio Ducal. A torre central é a Phillipe le Bon.

O palácio é composto de várias partes que se juntaram. A parte mais antiga, construída no século XII em estilo gótico, foi reconstruída nos séculos XIV e XV. A torre do terraço ou Tour Philippe le Bon possui 52 m de altura e fornece as mais belas vistas da cidade. Esta é uma das partes que você poderá visitar. A parte nova foi construída entre os séculos XVII e XVIII no estilo clássico, está reservada à prefeitura e não está aberta ao público. Enfim, a última extensão é a fachada do Musée des Beaux-Arts, erguido no século XIX no lugar da Sainte-Chapelle de Dijon, destruída em 1802. O Antigo Palais des Ducs de Bourgogne fica na 1 place de la Libération. No portão do palácio a cabeça da Medusa guarda a entrada.

Musée des Beaux-Arts

Túmulo de Jean sans peur e Marguerite de Bavière

Este museu está entre os mais ricos da França. De antiguidades à arte contemporânea e moderna, estão 130.000 obras conservadas nos seus 3 andares. Fica na 1 Rue Rameau.

Cathédrale St. Bénigne


O edifício mais alto de Dijon, com 93m de altura, é a Cathédrale Saint-Bénigne, construída no estilo gótico do século XIII. É dedicado a Saint Bénigne de Dijon, um mártir cristão do século II. O interior é iluminado com uma luz dourada, os assentos são de palhinha e a cripta é do século X. Fica na place Saint Bénigne.

Visite o Musée Arquéologique na 5 rue du Dr-Maret próximo à Catedral.

Chartreuse de Champmol


A construção desse mosteiro começou em 1378 no exterior da vila de Dijon, por Philippe o Belo. No seu testamento de 1386, ele demonstrou seu desejo de ser enterrado ali. Os duques de Bourgogne chamaram artistas para decorá-lo. O convento foi fechado e vendido em abril de 1791, durante a Revolução francesa, e o novo proprietário não demorou para demolir a igreja e os prédios não usados. O estado readquiriu o convento em 1833 para fazer um asilo psiquiátrico. Suas obras de arte foram distribuídas entre numerosos museus do mundo. É proibida a entrada no prédio, mas é possível ver seus jardins, projetados no século XIV. Sua entrada gótica é magnífica.

OS ARREDORES (BATE E VOLTA)

Os castelos surgem dos vinhedos e torres de igrejas medievais e marcam o cenário da viagem aos arredores de Dijon.

Hôtel-dieu

Beaune – É a capital do vinho na Bourgogne e considerada a melhor para se hospedar pela maioria dos turistas. A cidade medieval tem dois mil anos de história preservada atrás de suas fortificações. Conservou um ar aristocrático por ter sido a primeira residência dos duques de Bourgogne até o século XIV. O magnífico hôtel-Dieu foi fundado em 1443 por um messêna, o estabelecimento foi um hospício até 1971.

Lindas residências do século XVI, um mercado, museus e igrejas irão distrair seu olhar! Das montanhas de Beaune, a vista abraça a vila e a colinas vizinhas.

No centro de Beaune a melhor adega é a Caves Patriarche, em frente ao hotel de Dieu, que fornece degustação comentada por sommeliers sobre uma série de vinhos da Bourgogne.

No terceiro final de semana de novembro, compradores de vinhos e enófilos do mundo todo vêm para o festival Les Trois Glorieuses. São três dias de muita festa, degustação e embriaguez. Os produtores de vinho oferecem degustação paga e gratuita de diversas safras de vinho e permitem visitas às suas adegas.

De Dijon a Beaune são 39 km e 30 minutos de TER. O centro de ajuda ao visitante de Beaune fica na 1 rue de l’Hôtel-Dieu. A melhor maneira de conhecer estas terras é de bicicleta, que podem ser alugadas próximas à estação.

Abbaye de Citeaux

Abbaye de Citeaux – Depois de nove séculos, os homens ainda rezam regularmente nesta abadia, fundada em 1098 por Robert de Molesme, embora seja Saint-Bernard quem tenha dado um impulso a esse lugar, nos poucos intervalos de suas inúmeras orações. O monastério quase desapareceu. Somente uma biblioteca, um prédio do século XVI e outro do século XVIII, lembram sua importância. Os monges de hoje são agricultores, produzem o famoso queijo de Citeaux. Procure o centro de ajuda ao visitante de Dijon.


Saulieu – A cidade de 3 mil habitantes tem como principal atrativo sua gastronomia, mundialmente conhecida e elogiada. O mundo da culinária foi abalado quando o chefe estrelado Loiseau, proprietário do Relais Bernard Loiseau, em Saulieu, se suicidou em 2003 devido aos rumores de que ele perderia uma estrela Michelin. O hotel/restaurante ainda funciona sob o comando de sua esposa e seu discípulo Patrick Bertron. O discípulo ainda segue o mestre. Saulieu fica a 76km de Dijon. Vá de ônibus em 57 minutos. Consulte o centro de ajuda ao visitante de Dijon.

SOUVENIRS

A lembrança de Dijon pode ser uma coruja, símbolo da cidade, que você encontrará em qualquer lojinha de souvernirs.
La Boutique de Maille – Aqui, você encontrará a famosa mostarda de Dijon, embora sua produção não seja mais tão local assim, já que a maioria de suas sementes são importadas. Fica na 32 rue de la Liberté.

Cave Duclos Maillard – Com certeza você vai encontrar um vinho borgonhês para o seu paladar no preço que você queria. Fica 19 Rue de Chenôve.

QUANDO ANOITECE

Um público barulhento começa a noite num dos cafés ou restaurantes da place Zola, place Darcy, ou rue des Godrans. Escolha um e aproveite!
O Théàtre Dijon-Bourgogne e o Grand Théàtre de Dijon – Apresentam óperas, operetas, recitais, danças, concertos e teatros. Ficam, respectivamente, na Rue Danton e 11 Boulevard de Verdun.

COMO CHEGAR

Dijon fica a 310km a sudeste de Paris, na região da Bourgogne. Partindo de PARIS GARE DE LYON, o TGV gasta 1:32hs até a estação de Dijon.

Lyon fica a 190km de Dijon e a viagem de TGV dura 1:27hs até a estação de Lyon Part Dieu.

Genève, na Suiça, fica a 190Km de Dijon e a viagem de TGV dura 2:41hs com uma conexão em Lausanne.

QUANDO IR

O clima é quente no verão, com ocasionais tempestades violentas e frio no inverno, com frequentes episódios de neve. As chuvas são frequentes em todas as estações.
Em março tem o salão de primavera.
Em junho/julho tem verão musical.
Em setembro tem o festival internacional do folclore e festa da uva.
Em outubro/novembro tem a Feira Internacional de Gastronomia.
Outubro/maio tem a temporada de ópera.

ONDE FICAR

Hostellerie du Chapeau-Rouge – Este respeitável hotel exibe antiguidades do século XIX e conforto moderno. Seu restaurante oferece especialidades borgonhesas de acordo com a estação. Mesmo não sendo um hóspede você pode experimentar sua iguarias. Diárias a partir de 110 euros. Fica na 5 Rue Michelet, centro histórico.

Hôtel Wilson – Châteaux et Hôtels Collection – esta pousada situada num prédio do século XVII, possui instalações modernas. Alguns quartos ficam em frente a praça Wilson. Diárias a partir de 97 euros. Fica na 1 rue Longvic, à 10 minutos à pé do centro de Dijon.

Hôtel des Ducs – Hôtels de Charme et de Caractère – situado no centro histórico de Dijon, está a 50m do Palácio do Duques, museu de Belas Artes e área de compras. Diárias a partir de 70 euros. Fica na 5, rue Lamonnoye.

Não tem hotel mais barato?

Hôtel Le Chambellan – Instalado no centro de Dijon, num prédio do século XVII. Excelente atrações como museus, igrejas e a porte de Guillaume estão a 10 minutos à pé do hotel. Diárias a partir de 46 euros. Fica na 92 rue Vannerie à 900m da estação ferroviária de Dijon.

ONDE COMER

Dijon possui uma respeitável e tradicional gastronomia. A famosa Mostarda de Dijon, produzida na região é uma AOC, o crème de cassis e o Kir (cassis branco à base de crème de cassis e vinho branco de Bourgogne), são excelentes aperitivos/coquetel, tradicionais da cozinha borgonhesa. O pain d’épices, um bolo de mel aromatizado e o chocolat Lanvin que foi incorporado pela suíça Nestlé, mas conservou seu nome original.

Le Pré aux Clercs – Situado do lado oposto do Palais des Ducs, em uma casa do século XVIII, é um dos melhores restaurantes Bourgandy. Fica na 13 place de la libération. Menu a partir de 38 euros.

Maison Millière – Aqui você vai encontrar de tudo, um restaurante com jardim, um salão de chá servindo doces e tortas, uma loja de souvenirs com produtos regionais. Fica na 10 rue de la Chouette. Menu a partir de 25 euros.

Tem mais barato?

Le palais Dit Vin – Pequeno restaurante, servindo a cozinha francesa de alta qualidade e sabor. Fica na 74 rue Monge. Preço médio a partir de 12 euros.

Bon voyage!!!


Você também precisa conhecer

12 de agosto de 2017

12 de agosto de 2017

RELACIONADOS
Auxerre

12 de agosto de 2017

Dijon
4°
céu limpo
Humidade: 86%
Vento: 4m/s N
Max. 10 • Min. 2
5°
Dom
4°
Seg
4°
Ter
Dados da OpenWeatherMap
Quem sou
Bird

Conheci a França através dos livros e descobri que este país é, por si só, um exemplar admirável. Desses que te hipnotizam da primeira página ao último ponto. Violento e delicado, por vezes há um toque de conto de fadas. Pura emoção.

A história francesa é o cenário principal da narrativa com suas coerências e paradoxos, glórias e fracassos. Registre!!! A leitura mágica me transportou para tempos remotos e contemporâneos.

Quero que a minha viagem seja nossa. Ela está aqui, na bilheteria da estação ferroviária. Faça uma boa viagem e volte para me contar. Como dizem os franceses: "À Bientôt, j'espère."

Parceiros