Mont-Saint-Michel

Por em 12 agosto, 2017


Este santuário, majestosamente, construído sobre rochas pontiagudas é uma das maravilhas do ocidente e a perfeita combinação do trabalho realizado, em parte, pela ousadia do homem e, em parte, pela força da natureza.

A HISTÓRIA


A história iniciou-se em 708 quando a ilhota ainda se chamava Mont Tombe. São Miguel Arcanjo, aparece para Aubert, Bispo de Avranches, e pede que ele o dedique um lugar de culto. Aubert era muito cético e foram necessárias 3 aparicões de São Miguel Arcanjo para que ele fosse convencido. O local escolhido foi uma Baia arenosa entre o pico de Cancale e as falesias de Caroles. Os trabalhos iniciam e mesmo com as dificuldades topográficas, os arquitetos não desistem e edificam ali um santuário de dimensões imponentes como era a tradição. Inicialmente, um oratório foi construido. Depois, em 966 um monastério substituiu o oratório. Os incêndios não eram raros. Só em 1203, depois que o monatério foi incendiado é que teve início a construção da abadia. Foi em homenagem a São Miguel Arcanjo que o Mont Tombe passou a se chamar Saint-Michel. No século X os monges beneditinos se instalaram no monastério e uma cidadela se formou ao redor, nasceu Mont-Saint-Michel.


A fortaleza resistiu às tentativas de invasões pelos ingleses na guerra dos cem anos. Durante a revolução francesa a abadia foi utilizada como prisão.

A baía do monte Saint Michel é o teatro das maiores marés do continente Europeu podendo atingir até 15 metros de altura. A velocidade de subida da maré é impressionante. Em pouco mais de uma hora, o mar atinge a muralha da cidadela, transformando o monte numa ilha. A subida das marés pode ser observada do terraço perto da abadia.

O Mont-Saint-Michel e sua Baía tornaram-se patrimônio mundial da Humanidade pela UNESCO, em 1979. A população hoje é de 40 pessoas.

O QUE FAZER

Sim, é possível gerar expectativas e ainda ser surpreendido pela beleza e magia do lugar. Já na chegada, a visão é de tirar o fôlego.
O Centro de informações turísticas, l’Office du Tourisme, fica no Corps de Garde des Bourgeois, à esquerda dos portões da cidade na entrada da Porte de L’Avancée.

É fácil andar pelo monte, ele possui uma única rua, a Grande-Rue, com um emaranhado de casas, terraços e escadas que se juntam como que tentando se aproximar da abadia. De vez em quando aparece um minúsculo jardim para dar um toque de leveza nesta paisagem tão cinza.
Você pode começar sua visita subindo essa rua que possui mais de 60 construções protegidas como patrimônio histórico e casas do século XV e XVI, até alcançar a abadia.
Importante levar um bom agasalho, pois, mesmo no verão o vento é intenso e muito gelado!

Eglise Abbatiale


Coroando o topo da montanha fica a igreja Abbatiale, sua construção foi iniciada no século XI. Possui uma estátua de Saint Michel localizada na sua parte superior, a 170m acima da costa. Várias fortificações estão no seu entorno. O Claustro, o refeitório e a sala do cavaleiros formam um prédio denominado La Merveille, “A Maravilha”. Ocupam a face norte do monte no seu topo.

Le Cloître


O Claustro parece suspenso entre o céu e o mar. Suas arcadas em 4 corredores repousam sobre 22 colunas finas de granito rosa. O jardim no centro do Claustro é plantado, até hoje, com ervas medicinais.

Le Réfectoire


O refeitório onde os monges faziam suas refeições enquanto escutavam as escrituras, data de 1212.

Salle des Chevaliers


A sala dos cavaleiros, a antiga clausura, data do século XIII, 1225. Situado sob o claustro era, na verdade, uma biblioteca, uma sala de trabalho, de leitura e de escritas dos monges. O nome atual foi dado por Luis XI, em 1469, após a fundação da Ordem dos Cavaleiros de Saint Michel na abadia.

Eglise Saint Pierre


Construida no século XI, somente os pilares permanecem, demais partes foram retrabalhados entre os séculos XV e XVI. A estátua na entrada é de Joana D’Arc.

Musée Grevin


O museu descreve a história da abadia.

Archeoscope – O teatro apresenta L’Eau et La Lumière, “Água e Luz” que comemora a lenda e tradições do Mont-Saint-michel.

Logis Tiphaine – Um prédio do século XV, perto da igreja de Saint-Pierre com móveis da época.

Chapelle Saint-Aubert


Está situada numa elevação rochosa aos pés do monte. Foi neste lugar que São Miguel Arcanjo apareceu 3 vêzes para o bispo Aubert no século VIII.

SOUVENIRS

Ao Longo da Grande-Rue existem muitas lojinhas de Souvenirs. A maioria delas “made in China”.

QUANDO ANOITECE


É a hora que os Visitantes e peregrinos deixam a cidadela. Para quem fica é como mergulhar no silêncio, uma atmosfera mágica e iluminada devolve ao monte sua vocação espiritual. Dormir lá faz toda a diferença para quem quer redescobrir o esplendor e os mistérios desse lugar sagrado. De Junho a setembro, você pode fazer um tour à noite pela abadia, sozinho ou acompanhado de um guia. A última entrada é à meia noite.

COMO CHEGAR


O Mont-Saint-Michel fica na Normandia a 360km, oeste de Paris. Partindo de PARIS GARE MONTPARNASSE, o TGV gasta 2:20hs até Rennes, a partir daí, pegue o ônibus (conexão) que fica à esquerda da estação de Rennes que te levará ao Mont-Saint-Michel em 1:20hs.

Quer ir direto da idade média para o renascimento? Pegue o TGV que sai de Rennes para Tours no Vale do Loire. A viagem dura 2:35hs com uma conexão em Le Mans.

Saint-Malo fica a 60 km de Mont-Saint-Michel. A viagem podem ser feita de ônibus em 1:15hs, linhas regulares ou de barco.
Cancale fica a 52km do Mont-Saint-Michel. A viagem podem ser feita de ônibus em 0:50hs, linhas regulares ou de barco.
Cancale fica a 15km de Saint-Malo. A viagem pode ser feita de ônibus em 0:27hs, linhas regulares ou de barco.

QUANDO IR

O período ideal para visitação é de março a novembro.

Se você quer presenciar o fenômeno da maré alta de forma mais intensa, a chamada maré viva, o período ideal para visitação é na primavera, mas antes de ir consulte a tábua das marés.
http://www.ot-montsaintmichel.com/fr/horaire-marees/mont-saint-michel.htm

Na maré baixa é possível fazer caminhada pelo leito seco do canal da mancha, é nesta época que todos os segredos da baía são revelados, toda sua fauna e flora. Entretanto, não atravesse sem um guia experiente, estas areias são movediças. O interessante é que seja conduzido por um guia com certificação emitida pela comissão de avaliação de risco em travessias. A lista de guias pode ser consultada em http://www.mancherandonnee.com

Em 21 de março de 2015, foi o dia da grande marée du siècle, “maré do século”. A próxima está prevista para 2033.
No Inverno, o clima é inóspito, chuvoso e frio, entretanto é bucólico e mais barato.

ONDE FICAR

La mère Poulard – estalagem rústica dentro da cidadela. Os quartos têm vista para a baía e para a cidade medieval.O hotel disponibiliza guias e bicicletas. O endereço é: Grande-Rue. Diárias a partir de 400 euros já incluído meia pensão no verão.

Les terrasses Poulard – 2 casas, uma medieval e outra construída nos anos 1800. Dentro da cidadela. Alguns quartos têm lareira.O endereço é: Grande-Rue. Diárias dependem da vista, a partir de 120 euros.

Não tem hotel mais barato? Tem.

A melhor opção é ir no inverno, os preços caem muito e ficar fora da cidadela também ajuda.

Hôtel Le Relais du Roy – Está próximo ao Rio Couesnon e a 1,5km do monte Saint-Michel, a 50 m do translado gratuito para o monte. Também está próximo de um mercado e caixa eletrônico. Os quartos são bons e alguns possuem vista para o monte. O Hotel oferece um buffet de café da manhã e um restaurante com especialidades regionais. O endereço é: La Caserne. Diárias a partir de 115 euros no verão.

Le Mouton blanc – Localizado aos pés do mosteiro, o hotel possui quartos divididos em 2 edifícios, um com vista para o Monte e o outro com quartos no estilo medieval. A decoração é simples, mas confortável! Diárias a partir de 100 euros.

ONDE COMER

A especialidade do mont-Saint-Michel é o cordeiro pré salgado. A particularidade desta carne é que os animais são conduzidos a pastar numa vegetação próxima a borda do mar, inundada, unicamente, pela água salgada da maré alta. Esta pastagem confere um sabor original à carne que deve ser grelhada no fogão de lenha. A famosa omelette de la mère Poulard é uma receita Normanda do Mont-Saint-Michel. A receita diz que a gema deve ser batida, separadamente, da clara com delicadeza sendo que a clara deve atingir um estado de mousse para ser misturada com gema.

Para harmonizar, a bebida é a Cidra, obtida da fermentação da maçã, ou o Calvados, obtido da fermentação da pêra. Ambas são de baixo teor alcoólico. Originadas na Normandia/Bretanha. O sabor é delicioso.

Restaurant La Mère Poulard – Famoso pela sua tradicional omelete com champignon, o preço é quase proibitivo. Outra especialidade é o Agneau du Pré salé(cordeiro pré salgado), peixes e lagostas. Prato principal a partir de 39 euros. O restaurante fica na entrada do monte e virou um endereço comercial para turista.

Les Terrasses Poulard – A vista é panorâmica. O Cardápio é maravilhoso e a carta de vinhos também. As filas são longas e o preço é alto.

Le Mouton Blanc – O restaurante do Hotel Le Mouton Blanc oferece comida deliciosa preparada com ingredientes finos. Há também bons vinhos para se deliciar enquanto aprecia a vai-e-vem dos visitantes pela rua principal.

Não tem mais barato? Tem.

Em dezembro tem restaurantes de sobra no monte e os preços caem bastante.

Crêperie La Cloche – Possui banheiro próprio e é bem pequeno. Crèpe Sucrée, galettes(bolo redondo salgado). Bebida. Tudo é preparado sob demanda. O endereço é Grande-Rue. Os preços com uma bebida são a partir de 10 euros.

La Sirène – Restaurante pequeno, os preços são razoáveis. O endereço é Grande-Rue, fica na sobreloja de uma loja de souvenirs, a escada fica no fundo da loja. Não é um restaurante “pega turista”. O cardápio oferece Galettes(bolos redondos), crepes salgados e doces e uma cidra excelente.

Le Tripot Restaurant – O atendimento é rápido, a omelette possui a mesma receita do La mère Poulard, crepes doces de Nutella e caramelo, crepes salgados, moules frites à la crème( mexilhões fritos com crème), sanduiches com fritas. O preço é honesto, o menu à 15 euros por pessoa com entrada, prato e sobremesa.

Bon voyage!!!


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Ainda sem sugestões de passeios próximos para esta cidade.

12 de agosto de 2017

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31 de julho de 2017

  • Laísa Alcântara

    Qual sua cidade preferida na França? 🙂 @laisaalcantara10 (sorteio insta)

Mont-Saint-Michel
21°
nublado
Humidade: 73%
Vento: 3m/s SSW
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Conheci a França através dos livros e descobri que este país é, por si só, um exemplar admirável. Desses que te hipnotizam da primeira página ao último ponto. Violento e delicado, por vezes há um toque de conto de fadas. Pura emoção.

A história francesa é o cenário principal da narrativa com suas coerências e paradoxos, glórias e fracassos. Registre!!! A leitura mágica me transportou para tempos remotos e contemporâneos.

Quero que a minha viagem seja nossa. Ela está aqui, na bilheteria da estação ferroviária. Faça uma boa viagem e volte para me contar. Como dizem os franceses: "À Bientôt, j'espère."

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