Rouen

Por em 31 julho, 2017

A vila que queimou Joana d’Arc e inspirou Monet, pode ser sinistra e esplêndida, outras vêzes sombria e calma. Victor Hugo em “ Les feuilles d’Automne” cita Rouen: ”… cidade das velhas ruas, das velhas torres… A cidade dos cem campanários… Rouen dos castelos, das mansões e das bastilhas… “

A HISTÓRIA

A capital da Normandia nasceu na margem direita do calmo rio Seine e possuía todas as condições necessárias para se desenvolver.

Em 911, Rollon fez de Rouen a capital do ducado da Normandia a partir daí, passou a ser um lugar extremamente importante na História da França. Em 1204, a cidade foi devolvida à França no reino de Philippe Auguste. Em 1306, Philippe IV, o Belo, decidiu expulsar os judeus da comunidade. Em julho de 1348, a peste negra chegou à Rouen e dizimou a maior parte da população. Em abril de 1419, durante a Guerra dos Cem anos, Rouen foi tomada pelos ingleses e tornou-se a capital inglesa e normanda no reino francês. O domínio inglês sobre Rouen durou 30 anos.

Em 30 de maio de 1431, a jovem Joana d’Arc foi julgada e queimada viva em praça pública, o pretexto para tal crueldade foi que ela usava calças.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade perdeu mais de 2000 casas de madeiras no estilo normando. Apesar disso, quando vista de cima, um mar de telhados normandos são realçados por torres de sinos. Esse rico patrimônio religioso garantiu à Rouen o sobrenome de “ville aux cent clochers” – “cidade dos cem campanários”.

No século XVI, Rouen foi o principal porto francês de comércio com o Brasil, principalmente para colorantes de tecidos.

A cidade possui cerca de 130.000 habitantes e devido a esse patrimônio excepcional é uma das cidades mais visitadas da França.

O QUE FAZER

O centro de ajuda ao visitante fica 25 Place de la Cathédrale, no mais antigo edifício renascentista da cidade, a coletadoria de impostos de 1509. Solicite um mapa da cidade. Quer os detalhes da programação semanal de Rouen? Solicite o panfleto “Cette Semaine à Rouen”, distribuido gratuitamente.

O Petit Train é uma boa maneira de dar uma geral na histórica Rouen, embora a área histórica seja pequena e possa ser percorrida a pé. O trenzinho parte do centro de ajuda ao visitante para um tour de 45 minutos.

O rio Seine corta a cidade ao meio: a margem direita é ocupada pelo centro histórico e a esquerda é ocupada pelo centre-ville, nomeado de quartier Saint-Sever. A île Lacroix separa o Seine em dois braços. As duas margens estão religadas por 7 pontes, sendo uma delas a ponte ferroviária.

Metrô de Rouen

Metrô de Rouen

Para se locomover utilize o Tramway, comumente chamado de “metrô de Rouen”. Ele possui 2 linhas que se estendem da margem esquerda à margem direita do Seine, passando pela ponte ferroviária.

A rue Saint-Romain, no centro histórico, é um pequeno e misterioso tesouro e caminhar através dela é como voltar à Idade Média. Nas laterais estão algumas passagem estreitas de 80cm, chamadas “coupe gorge” ou “garganta cortada”, e casas do século XV.

Cathédrale de notre-Dame

Essa jóia gótica é como um livro de história! Ela foi construída a partir de meados do século XII, no lugar de uma igreja romana, cuja cripta foi conservada. A conclusão ocorreu um século mais tarde, mas foi modificada durante os séculos seguintes. Seus vitrais são do século XIII, sua fachada representa um precioso testemunho da evolução da arte gótica de meados do século XII até o século XVI e dá uma boa noção do passado flamboyant dos duques da Normandia.

A bela torre do farol recebeu, no século XIX, uma flecha que se eleva a 151m. A cripta abriga as sepulturas de Rollon, fundador do ducado e dos antigos duques, assim como o coração de Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, que amava a vila.

Durante os anos de 1890, Claude Monet pintou uma série de 31 quadros representando a catedral iluminada pelo sol nas diversas horas do dia, nas 4 estações.

A catedral está localizada no coração da vila, na Place de la Cathédrale. A visita à cripta pode ser feita com reservação no centro de ajuda ao visitante.

Église de Saint-Maclou


Construída no período entre 1437 e 1517 é outra jóia da arte gótica em Rouen. É mais conhecida pelos painéis do século XVI em suas portas. A torre do farol é do século XIX.

A igreja sofreu na Segunda Guerra Mundial, quando duas bombas, jogadas em 1944, provocaram incêndio e destruição. Esse desastre está documentado no interior da igreja. Alguns anos mais tarde iniciou-se a restauração. Saint-Maclou fica à direita da catedral, na 7 Place Barthélémy.

Próximo à igreja fica o Aître Saint-Maclou, hoje sede da École des Beaux-Arts. Sua sinistra história pode ser lembrada pelos crânios que enfeitam os trabalhos de carpintaria. Em 1348, a Peste Negra dizimou a maior parte da população e seus corpos foram enterrados bem aqui.

Église Saint-Ouen
Hôtel de Ville et Abbatiale Saint-Ouen by Tango7174

Hôtel de Ville et Abbatiale Saint-Ouen by Tango7174

Saint-Ouen é uma majestosa estrutura gótica iniciada em 1318, a partir de uma abadia beneditina do século VII. A igreja é o resultado de um trabalho de cinco séculos. Daqui, Joana d’Arc saiu para a morte. Fica na Place du Général de Gaulle.

Gros Horloge
Gros Horloge

Gros Horloge

O relógio mais antigo do mundo faz parte da vida cotidiana dos cidadãos de Rouen. O Gros Horloge, do século XIV, está instalado sob um arco renascentista na rua de pedestres de mesmo nome, atrás da catedral. O relógio não possui o ponteiro dos minutos, naquele tempo os minutos não eram importantes, mas exibe as fases da lua e os dias da semana personificados com deuses romanos, como por exemplo, o deus Apolo que representa o domingo.

Palais de Justice

Outro prédio emblemático de Rouen é o Palais de Justice, uma arte gótica do século XV, muito bem conservada. O prédio é uma testemunha da prática da justiça real e um porta-voz das reinvindicações normandas e teve um papel importante durante as lutas com a coroa, pois o parlamento se opunha ao absolutismo real.

Sua maior riqueza, no entanto, reside nos seus subterrâneos. Ao abrigo da luz, esconde-se o mais antigo monumento judeu da França. O local é o último vestígio do gueto da cidade, destruído depois da expulsão dos judeus em 1306. A descoberta desse local aconteceu em 1976, durante um trabalho de restauração do Palais de Justice, quando o chão cedeu engolindo um trator. Hoje, acredita-se que aqui funcionava um escola religiosa. Fica na 36 rue des Juifs.

Place du vieux Marché

08
Rodeada por numerosas casas de madeira normanda, esta foi a praça onde, em 1431, Joana d’Arc foi queimada. Pedras antigas contornam as fundações do lugar onde ficava a igreja que Joana olhava quando as chamas começaram a consumi-la. Suas cinzas foram jogadas no rio Seine.

Joana d’Arc liderou o exército francês na guerra dos 100 anos. Dizendo estar sob a proteção divina, libertou várias cidades da França. Foi vendida ao ingleses e condenada por heresia por um tribunal francês sob o jugo dos ingleses. Como punição, foi queimada na fogueira.

Musée Jeanne d’Arc


O museu conta, através de figuras de cera, comentários, áudio e até uma maquete de Rouen, a história da heroína francesa, desde seu nascimento em Domrémy-la-Pucelle até ser queimada. O museu está Localizado num porão na 33 place du vieux Marché.

Outros museus

Musée de la Céramique – Possui coleções de cerâmicas e porcelanas dos séculos XVII e XVIII. Fica na 1 rue Faucon.

Musée de Beaux-Arts – O museu abriga telas que vão de Gérard David e Delacroix passando por Veronese, Caravaggio e Fragonard até Monet que imortalizou a catedral de Notre-Dame de Rouen. Fica na Esplanade de Marcel Duchamp.

OS ARREDORES (BATE E VOLTA)

Farol - Le Havre

Farol – Le Havre

Le Havre – Os bombardeios repetidos, durante a Segunda Guerra Mundial, deixaram em ruínas alguns bairros importantes da cidade. Sua mais espetacular construção é o seu porto, o segundo da França. Para observá-lo, siga até o fort de Sainte-Adresse que oferece uma vista esplêndida. O museu de Belas Artes conserva um número importante de telas de Boudin. Havre é sua cidade natal.
Situada a 91km e a 1:35h de Rouen. Pegue o OUIBUS 8719 em direção a Le Havre.

Porto de Honfleur

Porto de Honfleur

Honfleur – Sem praias, poucos hotéis e, entretanto, animada, Honfleur possui um dos portos de pesca mais charmosos da Normandia, popularizado por pintores impressionistas como Boudin e Monet, desde o século XIX, que se reuniam no Albergue Saint-Siméon. 500 anos mais velha que Le Havre, as duas cidades estão ligadas pela pont de Normande.

Praia de Deauville

Praia de Deauville

Deauville – Esse balneário virou moda graças ao duc de Morny. A cidade conserva uma sociedade bastante rica e cosmopolita. Chamada de 21º arrondissement de Paris, conserva a tradição e a nostalgia de um tempo em que Deauville atraía artista e escritores. Suas praias ficam entre falésias, mas para continuar atraindo turistas, teve que se esforçar para multiplicar suas atividades culturais. Deauville fica a 94km de Rouen. A viagem por transporte público é muito demorada, então, alugue um carro!
14

Casa de Claude Monet, seu jardim de plantas e o Jardim aquático

Casa de Claude Monet, seu jardim de plantas e o Jardim aquático

Giverny – Nascido em Paris em 1840, Claude Monet morou em Giverny a partir de 1883. A força estabilizadora da juventude de Monet foi a arte. Ele adorava pintar ao ar livre, desejava congelar tudo à sua volta. O estilo impressionista foi forjado quando Monet se juntou a Renoir. Monet pintou “impressão sol nascente”, pintura cujo sol fere a superfície da água. Foi a partir desse nome que nasceu o nome desse estilo de pintura, o impressionismo. Os críticos diziam que o impressionismo era “quadros bonitinhos pintados no campo”. Quanto mais empobrecido, melhor ele pintava. Comprou uma fazendola em Giverny e nela construiu um jardim de plantas, a partir de um pomar em que dizia: “Minha maior obra de arte é o meu jardim”.
Em 1893, ele decidiu fazer um jardim aquático obtido do desvio do curso do rio Epte e uma ponte no estilo japonês. Mas como possuía catarata, não podia ver sua própria criação.

Monet faleceu 1926, aos 86 anos. Suas pinturas, consideradas monumentos ao impressionismo, estão em exposição no Musée de L’orangerie em Paris. Pegue o TGV que sai da GARE ST-LAZARE até a estação Vernon Giverny. A viagem dura 00:40h.

SOUVENIRS

Rouen é famosa pela produção da Faïence de Rouen, cerâmica decorativa fina e o Le coffret de Rouen, caixinha de madeira pintada à mão.
A cidade possui dezenas de lojas de antiguidades, além de dois marché aux puces – mercado das pulgas – funcionando nos finais de semana na place Saint-Mare, e às quintas-feiras, na place des Emmurés.

La Chocolatière – Os viciados em chocolate conhecem bem o endereço. Fica na 18 Guillaume-le-Conquérant.

QUANDO ANOITECE

O ponto de concentração, especialmente para quem quer pubs, é a place du Vieux- Marché.

La Bohème – Esse clube possui o recorde de mais antiga discoteca da França, aberta desde 1923. O ambiente é aconchegante. Fica na 18 rue Saint-Amand.

COMO CHEGAR

Rouen esta a 136 km a oeste de Paris. Partindo da estação PARIS GARE ST-LAZARE, o TER gasta 1:30h até Rouen.

Caen fica a 130km de Rouen a viagem de TER dura 1:30h.

QUANDO IR

Rouen possui a reputação de ser a mais chuvosa das cidades normandas e por causa dessa falsa reputação, seu sobrenome ficou conhecido como “pot de chambre – pinico de quarto”, desde 1902. Rouen possui invernos e verões amenos.

Em maio tem festa de Joana d’Arc. No domingo mais próximo ao 30 de maio, as crianças jogam flores no Seine, da ponte Boïeldieu, no mesmo lugar em que as cinzas de Joana d’Arc foram jogadas. Na maioria das vezes, a festa de Joana d’Arc coincide com o festival cultural da cidade.

Em abril/maio há 24 horas de motonáutica.

Em junho ou julho numa celebração de 8 dias, a cada 5 anos, os maiores velejadores do mundo se reúnem no cais para L’Armada. A próxima celebração acontecerá em 2018.

ONDE FICAR

Best Western Hôtel Littéraire Gustave Flaubert – Situado no centro histórico de Rouen, o hotel oferece acomodações temáticas em honra ao escritor Gustave Flaubert. Fica na 33 rue du Vieux Palais / 15 rue de la Pie. Diárias a partir de 106 euros.
Hotel Bonaparte – Este hotel simples possui excelente localização. A apenas 12 minutos a pé da estação de trem de Rouen, a 650m da Catedral e a 240m da igreja de Saint-Maclou. Fica na 3 Rue Jean Lecanuet. Diárias a partir de 90 euros.

Hôtel De La Cathédrale – Localizado no centro histórico, a 50m da catedral. A estação de Trem Rouen-Rive Droite fica a apenas 1,6 km e a Igreja de St. Ouen está a apenas 5 minutos a pé do hotel. Fica na 12 Rue Saint Romain. Diárias a partir de 76 euros.

Não tem hotel mais barato? Tem.

Arts Et Seine – Situado no coração de Rouen e a 150m da catedral. O metrô e o Rio Sena estão a 100 m da propriedade, enquanto a Estação de Trem Rouen-Orléans fica a 1,5 km do Arts Et Seine. Fica na 4-6 Rue St Etienne Des Tonneliers. Diárias a partir de 53 euros.

ONDE COMER

P’tit Gars – Pequeno restaurante com excelente e bem apresentados pratos. Fica na 37 rue aux Ours, próximo a catedral. Preço médio a partir de 17 euros.
Le Socrate Rouen – Cervejaria muito simpática e a cozinha excelente em relação ao preço. Fica na 46 rue Ganterie, próximo a catedral. Preço médio a partir de 15 euros.

Pascaline – É um bistrot frequentado por clientes antigos. Aberto em 1880, continua sendo uma das melhores opções para quem quer comer bem e barato. Fica na 5 rue de la Balance. Preço médio a partir de 15 euros.

Tem mais barato? Tem.

Juste Un Delice – Pequeno restaurante, lindamente decorado. O menu é simples, mas saboroso. Prato principal a 13 euros. Fica na 18 rue petit de Julleville. Perto da igreja de Saint-Maclou.

Bon Voyage!!!


Você também precisa conhecer

Ainda sem sugestões de passeios próximos para esta cidade.

31 de julho de 2017

RELACIONADOS
Mont-Saint-Michel

12 de agosto de 2017

Ruão
10°
nublado
Humidade: 93%
Vento: 5m/s NW
Max. 13 • Min. 8
14°
Dom
15°
Seg
15°
Ter
Dados da OpenWeatherMap
Quem sou
Bird

Conheci a França através dos livros e descobri que este país é, por si só, um exemplar admirável. Desses que te hipnotizam da primeira página ao último ponto. Violento e delicado, por vezes há um toque de conto de fadas. Pura emoção.

A história francesa é o cenário principal da narrativa com suas coerências e paradoxos, glórias e fracassos. Registre!!! A leitura mágica me transportou para tempos remotos e contemporâneos.

Quero que a minha viagem seja nossa. Ela está aqui, na bilheteria da estação ferroviária. Faça uma boa viagem e volte para me contar. Como dizem os franceses: "À Bientôt, j'espère."

Parceiros